Como nada na vida funciona sem um pouquinho de emoção, minha vinda pra Holanda não poderia ter sido diferente. O plano inicial era Belém-Brasília-Lisboa-Amsterdam. Bem, o inicial. Depois do chorôrô da mãe no aeroporto e das despedidas dos amigos, embarquei para Brasília no horário planejado, 6:00a.m do dia 16/8 (marquem bem essa data/horário). Como meu voo para Lisboa só saía as 16:45, uns amigos que também vão participar do intercâmbio se dispuseram a ir me buscar no aeroporto pra dar uma volta (BTW, Jéssica e Thiago, muito obrigado!). Saímos, comemos, nos divertimos. Voltei pro aeroporto.
Como eu disse, tudo muito bom, tudo muito bem.
Por enquanto.
Foi aí que a coisa começou a desandar. A Polícia Federal, em greve, resolveu atrasar o nosso avião apenas como forma de protesto, acredito eu. Resultado: saímos 1:30h depois do horário marcado. Aí que você deve estar se preguntando qual o grande problema nisso, certo? Eu tinha que estar até as 16h em Amsterdam para poder pegar as chaves do meu quarto e minha escala em Lisboa era de apenas 1h. Com 1:30h de atraso... Fez as contas? Pois é, eu também fiz e a única coisa que passava pela minha cabeça durante o voo era FUDEU FUDEU FUDEU!
Dito e feito. Cheguei em Lisboa e recebo a notícia de que meu voo já tinha partido e ainda me deparo com uma fila da imigração de umas 100 pessoas. Minha chegada já não tinha sido muito boa e eu ainda tinha que, em 4 horas, encontrar um teto sob o qual dormir em Amsterdam. Aí começou minha outra procissão que foi tentar encontrar um mísero wi-fi no aeroporto de Lisboa E NÃO ROLOU! Sim, acreditem ou não, passei umas 2:30h correndo de camisa de manga comprida preta num calor infernal atrás de uma internet, mesmo que paga, e não encontrei. Foi a coisa mais frustrante da minha vida. A única saída foi ligar para um amigo fazer essa missão pra mim e problema resolvido. Pronto, me acalmei um pouco e resolvi aproveitar o voucher de 16 euros que a Tap me ofereceu.
Sim, esse banquete custou MENOS que 16 euros.
Avião decolou e 3h depois eu finalmente tinha chegado em Amsterdam. Calmo, ainda fui fazer compras no free-shop pra comemorar minha sofrida chegada neste pequeno país. Mal eu sabia que ainda tinha mais por vir. Quando retirei minha mala, ela tinha rasgado. Ótimo, mais essa, Lei de Murphy! Ainda rodei o aeroporto a procura do balcão da TAP pra tentar reclamar, mas confesso que desisti no meio do caminho e fui para o trem que me levaria para a estação central de Amsterdam. No caminho, resolvi abrir meu computador no WI-FI DO TREM (sim, o trem tem wi-fi, sr.-dono-do-aeroporto-de-lisboa) e vejo que além de não terem conseguido reservar meu hotel, a moça da empresa tinha respondido meu e-mail desesperado dizendo que me esperaria no aeroporto até as 19h. Saí do trem correndo em busca de um telefone público pra eu ligar pra ela e não encontrei (ou os europeus são muito avançados ou ainda vou procurar uma explicação pra essa falta de certas utilidades públicas). Sorte a minha ter encontrado uma holandesa que se comoveu com a minha situação e emprestou o celular ("If you don't take too much time..."). Saí voando para onde tinha marcado com a mulher da empresa do aluguel e vocês sabem o que aconteceu? Quem quer dar um palpite? A rodinha da mala quebroooou!
Já não acreditando que as coisas podiam piorar e botando fé no meu conhecimento de Amsterdam by Google Maps, peguei o ônibus e parei na entrada da minha rua. Fui arrastando a mala e andando e andando e andando e... nunca chegava (lembrando que eu estava de manga comprida preta arrastando uma mala de 29kg no final de semana mais quente dos últimos 60 anos). No meio do caminho, arreguei. Apertei a primeira campainha que vi e pedi para que a moça guardasse minha mala na casa dela e ela, super solícita (pessoa holandesa muito legal nº2), o fez. Saí correndo (literalmente) pra encontrar com a moça que estava com as chaves de casa e KD VC MOÇA? Uns 10 minutos depois ela reapareceu (como eu demorei, ela já até tinha ido embora) com as chaves da minha casa. Acho que meus olhos devem ter brilhado. Pra completar a solicitude dos holandeses, a outra mulher trouxe a minha mala na bicicleta cargueira dela (sim, eles tem essas coisas aqui). Finalmente, casa!
Apenas para completar como a cereja do bolo, tomei um banho e fui no supermercado aqui da esquina comprar algumas coisas para tomar café da manhã e dei uma topada com a unha do mindinho na roda do carrinho (daquelas de gritar um CARALHO bem alto). O resultado é que acho que a minha unha tá soltando e vai cair :D Mas a essa hora eu já tava tão extasiado de estar na Holanda, que liguei o foda-se e tô aqui com a unha podre, mas feliz!