segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Primeiras impressões

Uma semana já se foi e já deu pra ter um gostinho do que vai ser a minha vida por aqui nos próximos meses. Depois da tragédia que foi a minha viagem, me dei ao luxo de passar um final de semana pagando de turista brasileiro rico (provavelmente por isso já estou sem dinheiro rs). Aaaah, pensei que se a hora de gastar um pouquinho mais pra conhecer a cidade seria a hora em que eu tivesse dinheiro e tempo, então fui fundo. Fui no museu do Van Gogh e paguei de cult; fiquei olhando fixamente para os quadros fingindo que estava entendendo alguma coisa e até dei uns palpites sobre o porquê do cara usar litros de tinta num quadro só. Fui também na Heineken Experience e vi todo o processo de como a cerveja é feita (confesso que fiz tudo rápido pra chegar logo na cervejinha do final). Fiz um passeio de barco pelos canais, que se revelou meio boring depois de 30 minutos com o cara falando a mesma coisa em 5 línguas diferentes e eu não prestando atenção em nenhuma. Rolou também um city tour de ônibus, que também revelou não ser lá essa Coca-Cola toda. Isso tudo regado ao final de semana mais quente dos últimos anos por aqui. Mas, quem se importa, estamos na Holanda, né?!
Já durante a semana rolou uma programação de introdução para os alunos do exterior, com direito a 1 milhão de km andados, festa de tudo que é jeito, passeio de barco, visitação em museu e... ALMOÇO E JANTAR DE GRAÇA. Pra quem bem me conhece, "comida" e "grátis" são duas das minhas palavras preferidas; combinadas na mesma frase então, formam um contexto perfeito. Como tinha passado meu final-de-semana-turista-fake-rico só comendo besteira, fiquei feliz em ouvir que ia comer alguma comida de verdade. Não comi nada durante a tarde inteira (o plano era fazer o jantar valer a pena) e fui feliz e saltitante para a bendita da festa/jantar. Chegando lá, mas que vergonha, só tinha SA-LA-DA. Velho, nem um pedaço de nenhum tipo de carne pra acompanhar, a não ser um salame lá. SEM CARNE NO MEAT=NO SUSTÂNCIA. Me fudi, é claro, e tudo que eu queria era um Burguer King da vida pra encher a pança até morrer. Mas isso era meu terceiro dia e eu não sabia que o pior ainda estava por vir.
No meio da semana fui até o supermercado para cumprir a missão de comprar um pouco de comida "de verdade" para colocar pra dentro de casa. O problema é: tá tudo em holandês. Ou comprava pela foto da comida ou jogava os dadinhos da sorte pra ver no que dava. Calhou de eu ter conseguido comprar um tipo de presunto, mas que infelizmente não sei dizer pra vocês o que é. Salada, biscoitos, arroz, suco, café, tudo mais ou menos tranquilo de comprar, mas quando cheguei nas carnes me assustei. Aquele papo de que frango e peixe aqui é barato é MENTIRA, porque tô comendo o frango mais caro da minha vida. E acho que vou passar um bom tempo sem carne vermelha :((( Obs.: Nem rola de comprar um salsichão, porque não consegui descobrir qual era a "comum" no meio das milhões de escolhas que tinham no supermercado.
Passado esse baque, resolvi escolher a aventura hard nível 2: comprar e usar uma bicicleta. Como todo mundo, comprei uma de segunda mão, meio velhinha, porque as novas são muito caras e chamam muito a atenção dos ladrões (bom dizer que roubo de bicicleta é o maior e mais comum crime por aqui. Alôôô Brasil...). Porém, a grande aventura mesmo foi usar a bendita da bicicleta no trânsito maluco daqui. Tem carro, bicicleta, tram, turista e pombo, todo mundo andando junto e misturado. Tá, nem é tãããão zona assim; eles se entendem. Mas eu, novo na cidade, ainda não descobri uma boa lógica de como andar corretamente por aqui, mas como ainda não cai/atropelei ninguém/morri, so far, so good. Obs².: aquele papo que a gente escuta de que na Europa você coloca o pé na faixa e os carros param, também é mentira. Espere o sinal fechar ou se arrisque.
Fora tudo isso, também teve um pouco de choque cultural. Não tô acostumado com essa coisa "cidade grande onde tem de tudo", então até comprar pão já é uma experiência nova. Moro num lugar onde os casais andam de bicicleta e de mãos dadas (sim, isso mesmo, cada um na sua bicicleta e de mãos dadas) e onde vejo carros carregando na tomada de noite. Encontrar morango, framboesa, mirtilo e amora no supermercado foi tipo, o ápice (um dia escrevo um post só falando sobre isso). Mas claro que nem tudo são flores. Vocês sente muita falta da sua família e dos seus amigos e até a sua cama parece se tornar um ser humano pelo qual você pode sentir falta. Por outro lado, poder sair sem ter que avisar/pedir pra ninguém e ser o seu próprio responsável também é bem legal.

Tenho muitas outras coisas pra contar, mas ficaria aqui dias e noites, e ainda tenho que verificar meu dinheiro e lavar louça e lavar roupa e fazer meu jantar. MÃE TO FICANDO DURO PELAMOR DE DEUS ME AJUDA

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Holanda: missão cumprida!

Como nada na vida funciona sem um pouquinho de emoção, minha vinda pra Holanda não poderia ter sido diferente. O plano inicial era Belém-Brasília-Lisboa-Amsterdam. Bem, o inicial. Depois do chorôrô da mãe no aeroporto e das despedidas dos amigos, embarquei para Brasília no horário planejado, 6:00a.m do dia 16/8 (marquem bem essa data/horário). Como meu voo para Lisboa só saía as 16:45, uns amigos que também vão participar do intercâmbio se dispuseram a ir me buscar no aeroporto pra dar uma volta (BTW, Jéssica e Thiago, muito obrigado!). Saímos, comemos, nos divertimos. Voltei pro aeroporto.


Como eu disse, tudo muito bom, tudo muito bem.
Por enquanto.

Foi aí que a coisa começou a desandar. A Polícia Federal, em greve, resolveu atrasar o nosso avião apenas como forma de protesto, acredito eu. Resultado: saímos 1:30h depois do horário marcado. Aí que você deve estar se preguntando qual o grande problema nisso, certo? Eu tinha que estar até as 16h em Amsterdam para poder pegar as chaves do meu quarto e minha escala em Lisboa era de apenas 1h. Com 1:30h de atraso... Fez as contas? Pois é, eu também fiz e a única coisa que passava pela minha cabeça durante o voo era FUDEU FUDEU FUDEU!
Dito e feito. Cheguei em Lisboa e recebo a notícia de que meu voo já tinha partido e ainda me deparo com uma fila da imigração de umas 100 pessoas. Minha chegada já não tinha sido muito boa e eu ainda tinha que, em 4 horas, encontrar um teto sob o qual dormir em Amsterdam. Aí começou minha outra procissão que foi tentar encontrar um mísero wi-fi no aeroporto de Lisboa E NÃO ROLOU! Sim, acreditem ou não, passei umas 2:30h correndo de camisa de manga comprida preta num calor infernal atrás de uma internet, mesmo que paga, e não encontrei. Foi a coisa mais frustrante da minha vida. A única saída foi ligar para um amigo fazer essa missão pra mim e problema resolvido. Pronto, me acalmei um pouco e resolvi aproveitar o voucher de 16 euros que a Tap me ofereceu.



Sim, esse banquete custou MENOS que 16 euros.

Avião decolou e 3h depois eu finalmente tinha chegado em Amsterdam. Calmo, ainda fui fazer compras no free-shop pra comemorar minha sofrida chegada neste pequeno país. Mal eu sabia que ainda tinha mais por vir. Quando retirei minha mala, ela tinha rasgado. Ótimo, mais essa, Lei de Murphy! Ainda rodei o aeroporto a procura do balcão da TAP pra tentar reclamar, mas confesso que desisti no meio do caminho e fui para o trem que me levaria para a estação central de Amsterdam. No caminho, resolvi abrir meu computador no WI-FI DO TREM (sim, o trem tem wi-fi, sr.-dono-do-aeroporto-de-lisboa) e vejo que além de não terem conseguido reservar meu hotel, a moça da empresa tinha respondido meu e-mail desesperado dizendo que me esperaria no aeroporto até as 19h. Saí do trem correndo em busca de um telefone público pra eu ligar pra ela e não encontrei (ou os europeus são muito avançados ou ainda vou procurar uma explicação pra essa falta de certas utilidades públicas). Sorte a minha ter encontrado uma holandesa que se comoveu com a minha situação e emprestou o celular ("If you don't take too much time..."). Saí voando para onde tinha marcado com a mulher da empresa do aluguel e vocês sabem o que aconteceu? Quem quer dar um palpite? A rodinha da mala quebroooou!
Já não acreditando que as coisas podiam piorar e botando fé no meu conhecimento de Amsterdam by Google Maps, peguei o ônibus e parei na entrada da minha rua. Fui arrastando a mala e andando e andando e andando e... nunca chegava (lembrando que eu estava de manga comprida preta arrastando uma mala de 29kg no final de semana mais quente dos últimos 60 anos). No meio do caminho, arreguei. Apertei a primeira campainha que vi e pedi para que a moça guardasse minha mala na casa dela e ela, super solícita (pessoa holandesa muito legal nº2), o fez. Saí correndo (literalmente) pra encontrar com a moça que estava com as chaves de casa e KD VC MOÇA? Uns 10 minutos depois ela reapareceu (como eu demorei, ela já até tinha ido embora) com as chaves da minha casa. Acho que meus olhos devem ter brilhado. Pra completar a solicitude dos holandeses, a outra mulher trouxe a minha mala na bicicleta cargueira dela (sim, eles tem essas coisas aqui). Finalmente, casa!
Apenas para completar como a cereja do bolo, tomei um banho e fui no supermercado aqui da esquina comprar algumas coisas para tomar café da manhã e dei uma topada com a unha do mindinho na roda do carrinho (daquelas de gritar um CARALHO bem alto). O resultado é que acho que a minha unha tá soltando e vai cair :D Mas a essa hora eu já tava tão extasiado de estar na Holanda, que liguei o foda-se e tô aqui com a unha podre, mas feliz!


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

1, 2, 3 e… Holanda!

Então galera, é isso. Tá chegando a hora e resolvi fazer esse blog aqui pra contar um pouco das minhas peripécias pelo velho continente.

Estou a menos de duas semanas de viagem e ansiedade é o mínimo que posso dizer estar sentindo. É tudo tão estranho e surreal pra mim que acho que só acredito quando colocar meu pés naquele lugar. Ando numa montanha-russa emocional; tô todo animado e feliz e planejando viagens e do nada bate uma tristeza e acho que nada vai dar certo, que meus amigos não vão estar aqui quando eu voltar e que não vou ter dinheiro e… BUM! Não durmo, não como, não bebo não fumo não fodo. A falta do que fazer me fez começar a arrumar as malas um mês antes e já tô olhando pra ela com cara de “putaqueopareo, não vai caber”.

Enfim, é tudo muito estranho e pensar que em menos de duas semanas minha vida vai mudar COMPLETAMENTE me deixa meio apavorado, mas também ansioso por tudo que vou viver nesse ano. Sei que vou voltar outra pessoa, com outra cabeça e muito mais roupas e sapatos, mas como disse, acho que a ficha só vai cair mesmo quando eu chegar lá e ver aqueles canais iluminados pela luz vermelha das putas e a fumaça da maconha everywhere.

p.s.: o nome do blog vem de “fiets”, bicicleta e primeira palavra que aprendi em holandês. Colocar bicicleta no título foi ideia de um amigo e provavelmente foi a terceira palavra que veio a cabeça dele quando pensou Amsterdam (entenda quem quiser).

De qualquer forma, Welkom bij Holland!