sábado, 23 de novembro de 2013

confissão

Quantas cartas que nunca vais ler ainda vou te escrever?
Quantos sonhos meus ainda vou perder contigo?
Quantas palavras minhas ainda vão ficar por serem ditas?
Quantas esperanças ainda terei que matar pra limpar o meu sistema por completo?

Te querer e não te ter,
E essa vida de ser tu o centro dela
Já não vale a pena.
Então me diz, até quando vais ficar aqui?

Porque te digo que o cansaço,
Cansa
E esse não querer teu,
Machuca.

E já não tenho mais madrugadas de sábado pra perder por ti
Já não tenho mais fôlego para respirar por nós dois
E já me falta paciência pra fazer uso de eufemismos a essa hora

Está tarde
Escrevo pra ti, sem meias palavras, sem indiretas
Pra ti, que nunca me ouviu
Hoje te escrevo

Quantas palavras mais vou ter que gastar
Esperando tu voltar?
Acabar com esse achismo
De que a vida sem mim, é melhor?

Já perdi meu tempo
Já perdi as horas
Já perdi o senso
Já perdi a mim.

E verdade seja dita, desde que tu embora se foi
A tristeza tem me caído bem demais para o meu gosto. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

desPERDIDAS

-E com os olhos em chamas e um nó na garganta, ela saiu dali e não olhou mais para trás. As palavras ditas há pouco a atingiram em cheio, desnorteou-a, perdeu o rumo. Por sequer um momento de seus agora longos dias deixava de pensar nele e em toda aquela balburdia que tinham criado juntos; nunca nela, não, sempre se esqueceu dessa parte. Deixa pra depois, vai passar, o tempo cura tudo. Descobriu pela dor que sentia naquele momento que essa era uma verdade relativa, escrava dos desejos de quem quer deixar de sentir: não se vira a página lendo o mesmo livro e a esperança, mesmo que seja a última, um dia também morre. Mate-a, se necessário. Afogue-a no seu pranto, esconda debaixo do tapete, mas desapegue.

Jogou fora o que não era necessário, aponto para o norte e rumou em direção ao desconhecido. E quando tropeçava, respirava fundo contando até três e continuava. As memórias agora eram as suas fiéis companheiras; vivas demais, por assim dizer, mas impossíveis de serem descartadas. Deixou-as lá, guardadas num potinho daquela estante tão especial. Nada de mágoas, raiva, ressentimento – iriam atrasar sua ida. Permitiu-se apenas o extremamente necessário. Apagou suas pegadas. E foi.

Antes de sair, deixou as chaves sobre a mesa e um guardanapo com um beijo para o seu amor: “Tire a mesa do café, não volto a tempo. E ah, não se esqueça de apagar as luzes antes de sair. Até logo!”. -

domingo, 10 de novembro de 2013

AncorEI, ancoramos

Atraquei no teu porto, joguei minha âncora e nunca mais parti. Me fiz de difícil e disse que ia, disse que fui, mas se colocarmos nossas cabeças para pensarem  juntas vamos perceber que nunca fui de verdade. Lembra aquele dia em que disse que nós éramos uma vez? Errei a tecla e joguei reticências ao invés de ponto final. E aquela outra em que disseste que ia (e se pararmos pra pensar, fostes)? Disseste ponto final, mas insisti no ponto em seguida e me prendi a ti.
Puxei minha âncora, mas não hasteei minha vela; estacionei na tua e não sei mais o caminho de volta. Me perdi no teu mar de palavras e atitudes que minha cabeça nunca processou lá muito bem. Teus jogos mentais me deixam confuso, enjoado. E tua voz se assemelha à daquelas sereias que afogavam os pobres piratas (des)iludidos.  Me afogas e eu me prendi a ti e acho que agora não tem mais jeito, né?! Porque já puxei a minha âncora e ainda estás aí, aqui, em todo lugar – onipresente, desafiando até as próprias leis da física.

Te vejo, sim, cada vez mais distante no meu horizonte inabalável. Empaquei no teu e agora continuo aqui parado, perdido, como sempre (para sempre?). Me ajuda a remar?