Atraquei no teu porto, joguei minha âncora e nunca mais
parti. Me fiz de difícil e disse que ia, disse que fui, mas se colocarmos
nossas cabeças para pensarem juntas
vamos perceber que nunca fui de verdade. Lembra aquele dia em que disse que nós
éramos uma vez? Errei a tecla e joguei reticências ao invés de ponto final. E aquela
outra em que disseste que ia (e se pararmos pra pensar, fostes)? Disseste ponto
final, mas insisti no ponto em seguida e me prendi a ti.
Puxei minha âncora, mas não hasteei minha vela; estacionei
na tua e não sei mais o caminho de volta. Me perdi no teu mar de palavras e
atitudes que minha cabeça nunca processou lá muito bem. Teus jogos mentais me
deixam confuso, enjoado. E tua voz se assemelha à daquelas sereias que afogavam
os pobres piratas (des)iludidos. Me
afogas e eu me prendi a ti e acho que agora não tem mais jeito, né?! Porque já
puxei a minha âncora e ainda estás aí, aqui, em todo lugar – onipresente,
desafiando até as próprias leis da física.
Te vejo, sim, cada vez mais distante no meu horizonte
inabalável. Empaquei no teu e agora continuo aqui parado, perdido, como sempre
(para sempre?). Me ajuda a remar?
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