segunda-feira, 10 de agosto de 2015

não podemos inventar domingos

um copo de cerveja a mais, umas verdades a menos. mentira, mentira, mentiraOPS desculpa o arroto, era uma verdade que tava presa.
um shot de tequila a mais, ai desceu errado. "não vou ligar não vou ligar não vou ligOLHA ESCUTA AQUI". respira fundo, sopra, olha outro sopro de amor próprio indo embora, ah que diferença faz?
uma taça de vinho a mais, algumas certezas a menos. cai, levanta, olha pra frente, chora calado, não, segura, segura mais um pouco. pronto, cama, agora vai, desaba, te dilui, bota pra fora. ufa, passou! só mais um cigarro, sono.
acorda, ressaca, para um pouco de rodar cabeça. putz, mandei mensagem. tiroporradabomba. calma lá, ainda nem tomei minha xícara de café. vai, agora fala, desembucha logo de uma vez tuas verdades (mentira, mentira, mentira, checked!). desculpa? tá, desculpo, mas não faz de novo. não, claro que não, te amo. tá, tá, agora some, não te quero mais. ahn? é, some da minha vida, cansei. lê a conversa, relê a conversa, apaga, apaga o número, desliga a cabeça, ah não vai dar.
comédia romântica, pipoca, brigadeiro, cutuca a ferida, um balde de lágrimas UFA! amanhã é segunda, dia de recomeçar.

...

- Ei, topa tomar uma cerveja?
- ... é, bora lá! (que mal pode fazer)





terça-feira, 27 de maio de 2014

amor reencarnado

Faço uso desses dias em que o sol se esconde atrás das nuvens pra me fazer maior. Faço uso dessas lágrimas que por ti ainda insistem em cair pra fortalecer a minha armadura. Armadura essa que é de palha; um sopro teu e a casa vai abaixo! Pensar que nos deixamos com horário de volta marcado e quando cheguei, teu bilhete me dizia que teu barco zarpou para outros portos. E quem um dia iria dizer que seria assim? Quem um dia iria dizer que serias o primeiro a dizer adeus? Eu, pelo menos, não. Acreditava no meu horóscopo semanal, que sempre me disse que o amor estava perto. Acho que ele se referia à você.

Você acredita em outras vidas? Comecei a pensar no assunto ultimamente por conta de você. É, isso mesmo, você consegue derrubar até minhas verdades mais absolutas. Acredito, como você bem foi informado, que nascemos um para outro, que meus filhos deveriam ser teus. Acho que vou ter que esperar pelas próximas vidas, certo? Se não nessa, certo que nosso amor um dia vingará.

Que teu barco zarpe, navegue novos mares e atraque em outros portos. Que tua âncora se fixe em um terreno mais firme, mais sólido que o meu. Que tudo que nosso amor destruiu, os novos consigam colocar de pé novamente. Te reencontro no dia que o nosso amor for pra sempre. Em vidas futuras. Em vidas passadas. Sou teu.

domingo, 1 de dezembro de 2013

dias perdidos

A estranha sensação de sentir conforto na tua falta se mistura com o caos que a tua ausência me causa. Sinto falta de mim quando era teu, sinto falta de ti quando eras meu, sinto nossa falta na minha cama vazia que já não parece tão pequena assim. Sinto tuas dores como se fossem minhas e teu amores, ah, esses podes jogar fora.

 No fundo sabes que és meu.
Que sou teu.
Que nosso tempo não acabou.

Deixe que digam, que falem, deixe a ciência com suas explicações racionais, joga a lógica pra lá e vem. Vem enquanto a tinta ainda está fresca, enquanto o café ainda tá quente e o nosso amor apenas adormecido.

Te perdoo por nos trair.

Mas vem. 

sábado, 23 de novembro de 2013

confissão

Quantas cartas que nunca vais ler ainda vou te escrever?
Quantos sonhos meus ainda vou perder contigo?
Quantas palavras minhas ainda vão ficar por serem ditas?
Quantas esperanças ainda terei que matar pra limpar o meu sistema por completo?

Te querer e não te ter,
E essa vida de ser tu o centro dela
Já não vale a pena.
Então me diz, até quando vais ficar aqui?

Porque te digo que o cansaço,
Cansa
E esse não querer teu,
Machuca.

E já não tenho mais madrugadas de sábado pra perder por ti
Já não tenho mais fôlego para respirar por nós dois
E já me falta paciência pra fazer uso de eufemismos a essa hora

Está tarde
Escrevo pra ti, sem meias palavras, sem indiretas
Pra ti, que nunca me ouviu
Hoje te escrevo

Quantas palavras mais vou ter que gastar
Esperando tu voltar?
Acabar com esse achismo
De que a vida sem mim, é melhor?

Já perdi meu tempo
Já perdi as horas
Já perdi o senso
Já perdi a mim.

E verdade seja dita, desde que tu embora se foi
A tristeza tem me caído bem demais para o meu gosto. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

desPERDIDAS

-E com os olhos em chamas e um nó na garganta, ela saiu dali e não olhou mais para trás. As palavras ditas há pouco a atingiram em cheio, desnorteou-a, perdeu o rumo. Por sequer um momento de seus agora longos dias deixava de pensar nele e em toda aquela balburdia que tinham criado juntos; nunca nela, não, sempre se esqueceu dessa parte. Deixa pra depois, vai passar, o tempo cura tudo. Descobriu pela dor que sentia naquele momento que essa era uma verdade relativa, escrava dos desejos de quem quer deixar de sentir: não se vira a página lendo o mesmo livro e a esperança, mesmo que seja a última, um dia também morre. Mate-a, se necessário. Afogue-a no seu pranto, esconda debaixo do tapete, mas desapegue.

Jogou fora o que não era necessário, aponto para o norte e rumou em direção ao desconhecido. E quando tropeçava, respirava fundo contando até três e continuava. As memórias agora eram as suas fiéis companheiras; vivas demais, por assim dizer, mas impossíveis de serem descartadas. Deixou-as lá, guardadas num potinho daquela estante tão especial. Nada de mágoas, raiva, ressentimento – iriam atrasar sua ida. Permitiu-se apenas o extremamente necessário. Apagou suas pegadas. E foi.

Antes de sair, deixou as chaves sobre a mesa e um guardanapo com um beijo para o seu amor: “Tire a mesa do café, não volto a tempo. E ah, não se esqueça de apagar as luzes antes de sair. Até logo!”. -

domingo, 10 de novembro de 2013

AncorEI, ancoramos

Atraquei no teu porto, joguei minha âncora e nunca mais parti. Me fiz de difícil e disse que ia, disse que fui, mas se colocarmos nossas cabeças para pensarem  juntas vamos perceber que nunca fui de verdade. Lembra aquele dia em que disse que nós éramos uma vez? Errei a tecla e joguei reticências ao invés de ponto final. E aquela outra em que disseste que ia (e se pararmos pra pensar, fostes)? Disseste ponto final, mas insisti no ponto em seguida e me prendi a ti.
Puxei minha âncora, mas não hasteei minha vela; estacionei na tua e não sei mais o caminho de volta. Me perdi no teu mar de palavras e atitudes que minha cabeça nunca processou lá muito bem. Teus jogos mentais me deixam confuso, enjoado. E tua voz se assemelha à daquelas sereias que afogavam os pobres piratas (des)iludidos.  Me afogas e eu me prendi a ti e acho que agora não tem mais jeito, né?! Porque já puxei a minha âncora e ainda estás aí, aqui, em todo lugar – onipresente, desafiando até as próprias leis da física.

Te vejo, sim, cada vez mais distante no meu horizonte inabalável. Empaquei no teu e agora continuo aqui parado, perdido, como sempre (para sempre?). Me ajuda a remar? 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Jogo pra perder

     No dia em que te conheci, tinha perdido. Ou estava perdido, não sei. Ando encontrando dificuldades em me encontrar nesses últimos vinte e um anos de vida. Seja como for, tinha decidido fechar a conta, encerrar o jogo, cancelar as perdas pra continuar como estava. Mas aí dizem que as coisas acontecem quando tem que acontecer e você me apareceu tão fácil, tão brilhante ali na frente; o pacote já estava tão belamente embalado pra levar pra casa que não tive como dizer não. Afinal, há sempre a possibilidade de devolução, certo?

     Comprei tuas fichas e apostei em ti, na gente, meio cegamente, sem pensar, inebriado pela leveza do momento. E isso como se eu estivesse rico de sentimentos, cheio de amor pra dar (assim mesmo, bem clichê, bem barato), como se não tivesse acabado de perder tudo. Aliás, “tudo” é boicote meu, que me passo a perna sempre que posso e que como todo bom pisciano, não mede a mão na hora de temperar a vida com um certo drama. Mas voltemos a ti, se afinal não ando com muitos outros motivos para escrever.

     Apostei alto, joguei todas as fichas e quando vi, estava zerado. Comprei mais e mais e elas terminavam sempre indo por água abaixo, numa maré de azar que encobriu a gente e nem vimos. E ainda assim insistimos. Não joguei sozinho, certeza que não. Por mais que meu sabor pelos desesperos da vida tenham me cegado de te ver tentando, no fundo eu sei que estavas sempre ali, do meu lado, do teu jeito. Mas receio que apostamos alto demais. E esgotou. Esgotamos. Perdemos o jogo juntos e te retiraste. Eu, como mal perdedor, continuei ali apostando alto no impossível de sermos nós de novo.

    E hoje me vejo cheio de todas essas fichas que não tenho onde depositar, cheio de palavras que não tem quem sinta, cheio de sentimentos que não tenho pra quem dar, cheio de amor que não queres aceitar.


    
Se eu embalar bem bonito, no teu papel preferido, com um laço vermelho bem grande em cima e com teu nome no de/para, tu aceitas de volta?