Imaginem que um dia de manhã eu estava na Holanda e na noite desse mesmo dia eu cheguei ao Brasil. Menos de 24hrs separaram a minha vida antiga da nova - e quando digo nova, é nova mesmo, porque ela deu uma volta de 1000º, assim, de você não saber nem a coordenada em que parou. Tudo que eu deixei aqui estava diferente e ao mesmo tempo igual. Na verdade, acho que quem mudou mesmo fui eu e o mundo não me acompanhou. Afinal, as pessoas continuaram a viver suas vidas da mesma forma que viviam antes e durante a minha ausência, com pequenos ajustes no meio disso. É como se eu tivesse descobrindo tudo de novo, mesmo tendo vivido 20 anos no mesmo lugar.
Durante esses alguns dias desde que cheguei, tenho mergulhado muito em mim. Cheguei achando que conhecia um pouco de tudo, que era mais forte do que antes, mais interessante, que sabia o suficiente de amigos, amores e família e que, por favor né, já tenho 21 anos, que peça que a vida ainda pode me pregar sem que eu esteja preparado? Foi então que essa caixinha de surpresa me deu uma rasteira, mostrando que você nunca sabe demais, que você nunca conhece demais e que hoje não é ontem. Nada como um dia após o outro, eles dizem. Pois eu agora vivo de 5 em 5 minutos, esperando que as comidas voltem a ter o mesmo gosto, as cores deixem de ser cinzas e o riso volte a ter a mesma alegria.
Aos que se importarem em se preocupar, por favor não o façam; não é uma depressão. É que apenas meu copo transbordou e agora eu estou (tentando) enchê-lo de novo.
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