terça-feira, 10 de setembro de 2013

A droga do desamor.

Tudo começa numa mesa de bar ou na balada, quando um amigo te pergunta, sem nenhuma pretensão, é claro, se você não se interessaria por algo... Diferente, algo novo. Diz ele ser uma experiência que vale a pena, pelo menos uma vez, e você, que disse nunca mais cair no conto do vigário, termina tentando. E nossa, como é bom! Você se enche de ânimo, sua auto estima melhora e até a disposição, que insistia fugir naquelas segundas chuvosas, parece ter melhorado. E é assim que tudo (re)começa.

No início pequenas doses homeopáticas, uma ou duas vezes na semana, são o suficiente pra te deixar bem com o mundo. Um “bom dia” na terça-feira, um cineminha no sábado e algumas mensagens esporádicas são o seu novo elixir; na verdade, são os primeiros sintomas do seu novo vício. Cada dia que passa você percebe que está afundando naquele abismo de bem estar e as borboletas na sua barriga confirmam: é playboy, perdeu, é amor. Do dia pra noite você se vê dependente daquilo e o seu estado de leveza te inebria a ponto de você nem mais saber onde você começa e onde o outro termina.

Mas quem se importa se seus amigos disseram pra ir com calma, pra tomar cuidado, pra não tomar o balde inteiro com aquela sede. Se faz bem, que mal tem?

Um dia após o outro, vivendo na esperança de ouvir aquelas três palavrinhas mágicas, aquela que ninguém admite, mas que é o que todo mundo quer ouvir ao menos uma vez na vida. “Eu te amo!”. Aaaaah, esse dia ficará marcado pra sempre – ao menos pelo eterno que durar – na memória desses dois que são agora, um só. Quando se chega nessa fase, o caminho não tem mais volta e pesquisas apontam que um grande (às vezes não tão grande quanto se gostaria) período de calmaria se estenderá pela frente. Você está completamente dependente daquilo, viciado e um dia sequer sem já traz sintomas de uma síndrome de abstinência.

Com o tempo você vai percebendo que aquilo já não te satisfaz mais, que aquele bem estar e a moral lá em cima são, na verdade, um passado agora distante, levado embora pela leveza do momento. Você não quer admitir, mas aquilo tem que acabar; você precisa voltar a tomar controle da sua vida e não mais tomar decisões baseadas em um sentimento fantasma, uma sensação que não existe mais. Derradeiramente, o dia em que se diz ‘chega’, chegou. Como toda droga que é tirada muito rápida do seu sistema, como qualquer pirulito que você tira de uma criança, aquilo dói. O que por tanto tempo foi seu motivo de levantar com um sorriso no rosto, é agora o porquê daquelas lágrimas estarem escorrendo dos seus olhos. E por que, você se pergunta, onde eu me perdi, onde deixei de existir por algo outro, onde foi que errei? E a dura verdade, meus queridos, é que não se tem resposta para essas perguntas. O mundo gira e com ele as pessoas mudam, as situações se invertem e quem um dia era caçador, agora é a caça.

Os primeiros sintomas (ou os últimos, se você assim preferir) envolvem um buraco no seu ser e uma dor que parece não passar; e não, não são dores ou buracos psicológicos, são físicos, reais, doem de verdade. Aquela sua droga será seu primeiro e último pensamento do dia e agradeça aos céus se não estiver presente nos seus sonhos. Como todo ex-viciado, você pensa que talvez seja melhor continuar a usar, que talvez uma ligação ou uma mensagem irão resolver. Você começa a imaginar mil situações que fariam seus caminhos se cruzarem, mente por vergonha de ter voltado a ao menos pensar naquilo. É que fazia tão bem, certo? Seria tão mais fácil voltar a usar e assim, todos esses sintomas da falta iriam sumir mais rápido...


A verdade absoluta nesse momento é “vai passar”. Ou talvez não, permaneça sempre lá, apenas dormindo ou escondido debaixo do tapete. Você não tem como saber, mas que esse desamor é uma droga, ah, isso todo mundo já sabe. 

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