Sigo teus passos quando ouço tua voz me chamando e me deixo
ser levado, seja lá qual for o caminho, pra te seguir. Bebo tuas verdades com
esse doce sabor amargo de dor e elas me deixam indigesto. Irrequieto. Aberto.
Abres minhas portas sem pedir licença e quando vejo já estás
de cueca sentado no meu sofá da sala, me pedindo uma cerveja e o controle da
TV. Me entrego.
Curo minhas feridas com panos de mentira entrelaçadas. Elas
ardem. Fecham. Abrem. Num ciclo maluco que insiste em não ter fim. Recomeço.
Finjo que está tudo bem quando vejo nos teus olhos o brilho
da felicidade de estar, finalmente, livre. Vivo. Feliz. E me consolo nisso,
afinal um de nós dois há de ser feliz um dia.
Me derreto quando vejo nos teus olhos a vontade de voltar,
de querer me amar de novo. Furada. Nós dois sabemos que esse amor já adormeceu.
Arrefeceu. Tirou férias.
Me alimento das tuas migalhas que espalhas pelo caminho
quando finge que vai e nunca mais volta. Sempre voltas. Sempre volto. Não nos
deixamos.
Vivemos na
sombra desse amor mal vivido, da ausência que causamos, do sentimento que
insiste em insistir.
Guardo teus pedaços, tuas roupas, tua saudade num potinho
bem escondido. Escrevi ‘esperança’ no rótulo e só eu sei onde está. Escondido
onde ninguém mais pode encontrar, esperando que tuas aventuras terminem e
percebas que algo está faltando, que deixaste tua metade no meio do caminho. E
que sigas tuas migalhas pra me encontrar.
Não te apressa que nosso amor não é pra agora. Tem que
amadurecer, reviver no teu peito vazio. Mas vem me lembrar do gosto dos teus
lábios de novo, vem levar essa saudade embora, vem que meu vazio tá te
esperando. Minha felicidade tá na gaveta e meu amor tá guardado, congelado,
esperando o nosso renascer que não virá. O nosso amor tá debaixo do tapete,
escondido pra ninguém ver. Mas ele ainda tá lá. Ainda estou aqui. Ainda estou
aí. Basta procurar. Encontrou? Então me traz de volta pra mim.
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